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Entre 1581 e 1598, 232 moradores em Torres Vedras foram perdoados por Filipe II, rei de Portugal, da prática de diversos crimes. A diversidade dos mesmos é grande, desde o delito que deu origem a um maior número de cartas de perdão, a agressão física, até a outros com uma representatitividade ínfima, tais como, por exemplo, deserção, impedimento de cobrança e violação.
Estes documentos revelam-nos uma vila de Torres Vedras extremamente violenta, o que é normal face aos padrões da época. Um outro aspecto é o da ruralidade, visível, por exemplo, quando se caçava e se pescava em meses proibidos, quando gados provocavam danos em terrenos alheios, ou ainda quando acontecia a maior parte dos casos de roubo, furto e fogo posto.
Anote-se ainda que vários perdões concedidos por Filipe II reflectem o apoio dado por alguns torrienses a D. António, prior do Crato, aquando de uma das suas tentativas para recuperar o trono, em 1589.
Ao conceder perdões a torrienses, como, de resto, a habitantes de muitas outras zonas de Portugal, Filipe II – como os seus antepassados já o tinham feito e os seus sucessores continuariam a fazer – procurava superar, pelo menos em parte, as grandes limitações do poder monárquico no que tocava ao policiamento do Reino e à aplicação da justiça.
 
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